Inteligência de Estado

Em 2018, dez anos sem concurso

Sem gente não há Inteligência

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Em tempos em que há suspeitas de interferência nas eleições da maior potência nuclear, é premente acentuar a necessidade de preparação do nosso País para contra-arrestar ameaças externas e produzir oportunidades de desenvolvimento. Apesar de ser esta uma constatação óbvia, a área de Inteligência no Brasil carece de recursos humanos para o desempenho adequado de suas funções.

Referência no assunto, os Estados Unidos da América tinham em 2010 cerca de 854.000 funcionários atuando nas áreas de inteligência e orçamento estimado em cerca de USD 80 bilhões somente para agências não militares. No México, agência equivalente à ABIN teria mais de 5.000 funcionários e orçamento equivalente a cerca de 3,3 bilhões de reais. Na Inglaterra, somente o MI5 (Contrainteligência) tem cerca de 4.000 funcionários e compartilha com seu congênere externo MI6 e a agência responsável pela inteligência de sinais (GCHQ) orçamento de cerca de 10 bilhões de reais. Desses números, é fácil constatar o nível de prioridade que outros países conferem à Inteligência, ainda mais diante das peculiaridades de extensão territorial, população, interesses externos e PIB de cada um.

Frente à falta de compreensão da importância deste segmento por outras áreas do Estado, é mister destacar que em 2018 completaremos 10 anos sem concursos públicos para o provimento de cargos de Oficial de Inteligência.

A AOFI reconhece a importância de recentes medidas adotadas para melhorar o desempenho do setor (controle parlamentar, Política Nacional de Inteligência, Estratégia Nacional de Inteligência, abertura de adidâncias etc.). Justamente por isto, é preciso evitar a ocorrência de um fosso geracional e de capacitação no futuro, problema que não afeta outras carreiras de Estado, contempladas com concursos regulares.

Como ato simbólico, a AOFI pretende cronometrar o tempo transcorrido desde a realização do último concurso para Oficial de Inteligência, na esperança de que as autoridades competentes, no Executivo e no Parlamento, se sensibilizem para tema tão importante para nossa soberania e desenvolvimento.

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