Informação ao Ministro

14/05/2016

Mais uma vez, o General Sergio Etchegoyen, agora Ministro de Estado do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), demonstra total desconhecimento sobre a atividade de Inteligência e sobre a Agência Brasileira de Inteligência que tanto quis em seu GSI.

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O Ministro declarou a jornais que a Abin rompeu colaboração com agências internacionais, mostrando que não sabe que a Abin tem cooperação com 82 serviços de inteligência estrangeiros, e que desde os Jogos Panamericanos em 2007 a Abin coordena o CISE – Centro de Integração de Serviços Estrangeiros, em que a Agência congrega os serviços antes e durante grandes eventos no País.  


Aparentemente o Ministro também desconhece que as gestões do Gabinete de Segurança Institucional nuca foram boas para Inteligência. A última delas foi particularmente desastrosa para a atividade de Inteligência de Estado no Brasil.


Não eram boas, de modo geral, porque os militares do GSI nunca respeitaram a carreira que foi criada para cuidar da Inteligência, por ser uma carreira civil e, por sermos civis, “não inspirávamos confiança” aos olhos militares.  Desastrosa por um número de razões, mas algumas com particular dano ao Estado.


O Gabinete de Segurança Institucional avocou para si – tirando da Abin – a atribuição de cuidar das seguranças de comunicações da Presidência da República; não permitiu ao GSI identificar que as comunicações da Presidência estavam comprometidas e sendo monitoradas pela NSA até que houvesse a denúncia de Edward Snowden. O GSI ou pecou por incompetência ou pecou por conivência.


O Gabinete de Segurança Institucional acabou com áreas de Inteligência externa e de ciência e tecnologia, ironicamente mostrando total descompromisso da atividade de Inteligência do GSI com o entorno estratégico e com a Estratégia Nacional de Defesa.


O Gabinete de Segurança Institucional foi incapaz de manter o diálogo com órgãos e unidades parceiros do Sistema Brasileiro de Inteligência, tratando-os com desprezo e como “funcionários” da Inteligência, sem que houvesse real cooperação e troca de informações entre esses órgãos.


O Gabinete de Segurança Institucional quase acabou com a cooperação internacional da Agência Brasileira de Inteligência por meio de suas adidâncias no exterior, com a justificativa de que a ação seria executada por adidos militares, que nunca em tempo algum entregaram uma única linha para a Abin.


O Gabinete de Segurança Institucional desarticulou totalmente a contraespionagem da Agência Brasileira de Inteligência, em meio a denúncias de espionagem feitas por Edward Snowden sobre a interceptação de comunicações da Presidência da República e sobre a Petrobrás.    


O Gabinete de Segurança Institucional exonerou agente suspeito de passar informações para a CIA sem qualquer outra ação de sindicância ou processo administrativo para punição do servidor de modo exemplar.


O novo Ministro do Gabinete de Segurança Institucional deve atualizar as informações que tem sobre a gestão de seu Gabinete e compreender por que a Agência Brasileira de Inteligência deve estar sob gestão civil.

 

Em silêncio, Brasil exonerou agente suspeito de passar dados para a CIA
http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,em-silencio-brasil-exonerou-agente-suspeito-de-passar-dados-para-a-cia-imp-,1090183

Às vésperas da Olimpíada, Abin rompe colaboração com agências internacionais
http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/seguranca-publica/as-vesperas-da-olimpiada-abin-rompe-colaboracao-com-agencias-internacionais/

 

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