“Passarinho na muda não pia”

8/05/2016

Segundo a reportagem do O Globo (link), essa foi a frase usada por Gaudencio Torquato, consultor e amigo do vice presidente Michel Temer para resumir a montagem da estrutura de Governo, se houver acolhimento do impeachment pelo Senado nessa próxima semana.

Passaro Calado

A frase foi usada num contexto que, entre outros assuntos, discutia a recriação do Gabinete de Segurança Institucional, GSI, conforme exigência do Exército neste remodelamento do Governo.

Entendemos que o General Etchegoyen, candidato anunciado ao cargo de ministro do GSI é um homem honrado e admirado, com histórico de gerações em obediência a serviço do País. É importante perceber que o extenso currículo e os atributos bilíngües não bastam na atualidade: é preciso entender que saber dialogar é ferramenta importante; que movimentos associativistas representam sim a voz de carreiras tão profissionais quanto as carreiras militares e que foram igualmente treinadas para servir ao mesmo País, e que estas carreiras estão dispostas a dialogar.

A pressão se mostra desleal nesse momento porque a recriação de mais um ministério – que foi recentemente extinto em função de sua ineficiência – não condiz com o compromisso declarado de Michel Temer em cortar cargos do governo, de forma a reequilibrar o orçamento brasileiro.

Essa pressão, na atual situação de incertezas e antagonismos, por si só mobilizou os Oficiais de Inteligência para dizer ao Excelentíssimo Vice Presidente Michel Temer e a quem mais quiser ouvir: a Inteligência de Estado deve estar acima dos interesses específicos de grupos de pressão. Não importa se os grupos de pressão são militares, comerciais, partidários, ideológicos ou qualquer outro.

A formação militar trabalha seus objetivos com o foco de inimigos e aliados. E assim o deve ser para militares. Mas para a Inteligência de Estado, a pluralidade brasileira exige uma postura sem paixões e sem pressões, não adversária ao tratar dos temas de interesse. A Inteligência de Estado não pode e não deve estar subordinada a quem pressiona, sob pena de não cumprir sua função da forma isenta como deve ser.

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