PORTA-VOZES DO RETROCESSO

3/05/2016

Eliane Cantanhêde pode não ter percebido, mas sua matéria* ajudou a mostrar exatamente por qual motivo os servidores de carreira da Abin querem uma Inteligência de Estado com ministro civil.

Porque alguns militares estão tão mal informados que acham que a Abin é um pólo partidário, mostrando total desconhecimento da Agência que tiveram em suas mãos.

Brasil quebrado

Porque alguns militares faltam com respeito a servidores de carreira do Estado, tratando-os como meros insubordinados, sem respeitar a formação que têm e o profissionalismo que mostram ao desempenhar suas atividades, e sem respeitar o direito constitucional de associativismo.

Porque o autointitulado porta-voz em favor de um Gabinete de Segurança Nacional que representa ideias ultrapassadas, que vê a Inteligência de Estado como algo para agir “detectando preventivamente movimentos ou ameaças a autoridades, a prédios públicos e ao próprio país” (sic).

Porque esse mesmo gabinete militar, na mão do General Elito, do mesmo grupo indicado na reportagem, foi capaz de dizer em alto e bom som que “espionagem era coisa da guerra fria”, ignorando o caso Snowden e acabando com a contraespionagem no Brasil; enquanto fazem seus cursos e engrossam seus currículos com apoio americano.

Sabemos que Exército, Marinha e Aeronáutica têm visões e formação diferentes e que há militares e há militares. E que em sua maioria entendem que a área militar é mais uma vertente da Inteligência, mas que há muito mais do que isso.

É exatamente pelos motivos que expôs a senhora Cantanhêde, que os Oficiais de Inteligência sugerem fortemente que seu ministro seja civil. E não temos dúvida de que em um eventual governo Michel Temer, conhecido por seu perfil democrata e constitucionalista, saberá diferenciar entre a visão limitada e a visão moderna das propostas para a Inteligência de Estado no Brasil.

Associação Nacional dos Oficiais de Inteligência – AOFI

 

* Link para matéria http://politica.estadao.com.br/blogs/eliane-cantanhede/temer-vai-reestruturar-area-de-inteligencia-e-recriar-gsi/

 

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